26.9.16

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Sem mais desculpas,

Cláudia Marques

The opposite of a muse

© Jean-François Bauret, 1987

Já foi há uma semana que o li, mas não queria deixar de o partilhar. Um fascinante artigo sobre como uma secretária médica conseguiu convencer dezenas de fotógrafos cujo trabalho ela admirava a retratá-la ao longo de duas décadas. Vários destes fotógrafos testemunham como ela os conseguiu convencer e por que meios (um deles demorou anos a aceitar o convite, outro nunca cedeu à sua obsessiva insistência) e como ela conseguiu criar com eles objectos que muitas vezes não se enquadravam propriamente no conjunto da suas obras, objectos que nasceram das especificidades do seu corpo, do seu olhar e do que ela procurava enquanto retratada. Ela não se vê como uma artista, mas há quem o defenda. Na sua busca narcísica, na sua obsessão por se ver pelos olhos dos outros e daí obter uma colecção de imagens que a fixam no tempo (atestando a sua passagem) e que a fixam perante ela própria, há um "drive", um desejo, uma urgência que o artista reconhece como vital (atingir o objectivo é outra história e ela, bem, ela manteve o seu compromisso durante vinte anos, até achar que chegara a altura de lhe dar um fim).

13.9.16

Melhor cena, melhor música.

27.8.16

Contaminações, IX

A faca é boa, corta até pensamento. 
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Mind is a razorblade.

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Esteticista, manicura, pedicura, ontem de manhã
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The Knife, 2003

23.8.16


© Liana Finck

22.8.16

Simpático

— Tens de ver o xxx, foi feito a pensar em ti.
— Nem me fales, tenho andado a adiá-lo por medo.
— Eu até pensei «Olha, foi simpático da parte do realizador ter-se lembrado da Cláudia».

45 Years

Weekend termina com um “e se?”: e se aquelas personagens não se separassem, e se elas se encontrassem mais tarde? Aqui também há um enorme: e se a personagem de Katya não tivesse morrido?
Adoro os “e se...?”. Olho para a minha vida e pergunto-me: “e se não tivesse feito isto?” As pessoas que encontramos mudam irreversivelmente as nossas vidas. E nunca percebemos isso, que a nossa vida está a ser mudada naquele momento em que conhecemos alguém num bar, em que, por essa razão, fazemos uma coisa específica no dia seguinte: de repente a nossa vida está mudada. Isso é tremendamente assustador: há escolhas, decisões mínimas que podem ter um efeito profundo. Para além disso, em termos cinematográficos sempre me interessam mais os filmes que acabam no “e se?”. Parece-me ser mais verdadeiro do que um princípio, meio e fim. Quero que as pessoas saiam do filme, gostando ou não, e voltem a pensar nele, no que vai acontecer à personagem, no que ela vai fazer depois da história. É uma esperança que tenho: que as pessoas se interessem pela história de forma mais envolvente do que a mera ida a uma sala de cinema.

De alguma forma 45 Anos responde ao "e se?" de Weekend: eis o que poderia acontecer aos dois amantes se tivessem continuado juntos até à velhice. 
Sim (...). As relações são forjadas da mesma maneira no início. E tornamo-nos nessa relação. A forma como forjamos um dia regressa para nos assombrar.

Há uma playlist que a personagem de Charlotte prepara para a festa de aniversário, inclui Dusty Sprinfield, Marvin Gaye, Jackie Wilson e os Platters com Smoke Gets in Your Eyes. Foi você que escolheu esta playlist?
Sim, a música está apenas no argumento, no livro [de David Constantine] nem sequer há festa. As canções que tocamos nas nossas vidas definem a nossa vida. São como flashbacks, através delas vamos até ao nosso passado. Quando Kate e Geoff casaram, havia uma música de que gostavam muito, Smoke gets in your eyes, pelos Platters. Tocam de novo no aniversário mas ela toma um sentido diferente. Adoro a canção, mas é uma canção muito complicada: tem o sabor do romantismo mas...

“Tears I cannot hide/ So I smile and say/ When a lovely flame dies/ Smoke gets in your eyes”: é uma canção sobre o fim. 
Exacto, se se ouve sem ligar à letra, é melancólica e gostamos imediatamente. Fazemos com ela o que fazemos com a nossa vida: não nos focamos muito naquilo que ela está a querer dizer. Quando o fazemos – quando nos focamos na letra da canção, quando nos focamos na nossa vida –, tudo se torna mais sombrio. As pessoas não querem fazer perguntas a si próprias. Ora, eu quero que as pessoas saiam do filme e ensaiem perguntas: “O que estou a fazer contigo? Será que ainda te amo?” Devíamos fazer essas perguntas todos os dias, acordar e perguntar para o lado: “Será que ainda quero estar contigo?”

Entrevista a Andrew Haigh, realizador de 45 Years (2015), por Vasco Câmara, no Público.

21.8.16

Contaminações, VIII



Hoje de manhã, pensei imediatamente no fotograma his toi toi toi re, de Godard, ao ler esta vinheta do Cages, de Dave McKean. Mais tarde, abri o facebook e descobri que postei o his toi toi toi re há dois anos, neste mesmo dia.

18.8.16

Sontag, 1959: «A chegada do orgasmo mudou a minha vida.»

(Para não dizerem que eu não escrevi nada sobre os Jogos Olímpicos.)

16.8.16

La femme qui broche

Broches e... outros assuntos da actualidade.

Rock 'n' Roll



[The Uninvited (1944), Lewis Allen]

6.8.16

Limoncella's Big Score

Ontem joguei matrecos com putos dez anos mais novos, que não conhecia de lado nenhum. Férias nem vê-las, mas isto (mesmo sem registo fotográfico) foi uma espécie de mergulho.

5.8.16

Thaïs (1917), Anton Giulio Bragaglia

25.7.16

Rocky Bemboa

My name is my name!

"Hoje tens memórias para recordar."


Boa semana.

Miragem

© Menina Limão

Já só me falta um para ter toute la Bénédicte

Insta

Portas e janelas — uma sequência não planeada.

No instagram.

21.7.16

Uma questão de espírito

«When students snap to the fact that there’s such a thing as a really bad writer, a pretty good writer, a great writer — when they start wanting to get better — they start realizing that really learning how to write effectively is, in fact, probably more of a matter of spirit than it is of intellect. I think probably even of verbal facility. And the spirit means I never forget there’s someone on the end of the line, that I owe that person certain allegiances, that I’m sending that person all kinds of messages, only some of which have to do with the actual content of what it is I’m trying to say.»

David Foster Wallace on Writing, Self-Improvement, and How We Become Who We Are

20.7.16

Às voltas (ao bilhar grande)

Constato estranhas circularidades na vida, cortesia das revisitações do facebook. Tenho, por exemplo, uma clara preferência por me estraçalhar no verão. No inverno, já basta o inverno.

A mulher que já viveu um bocado

Ex-namorados
ex-namorados
ex-namorados
e outras inadequações.

Time will tell

Time will tell if you can figure this and work it out
No one's waiting for you anyway so don't be stressed now
Even if it's something that you've had your eye on
It is what it is

19.7.16

Love be brave

Love be brave
No one will say it but you
And that has not yet been
The easy thing for you to do

How does he make love seem sweet
Isn't that some heavy feat
Do the birds suffer so
Do they sing because they know
This life don't go slow

What will I do then?
Here comes a change over me
Something strange takes over me
I am brave and love is sweet
And silence speaks for him and me

10.7.16

O que vemos quando corremos

#runsisterrun

8.7.16

Dinos

Já encomendei vários livros pela net, mas nunca me tinha acontecido comprar um que serviu para matar um peixinho-de-prata.

(Sendo sobre dinossauros, acho natural.)